O Amor e as diferentes formas de Amar
A história do relacionamento
Segundo o dicionário a palavra relacionamento significa o ato ou efeito de relacionar-se com alguém. Sendo assim, existe a capacidade de manter relacionamentos e conviver bem com os seus semelhantes. No entanto, o próprio significado está a modificar-se para relações amorosas, afetivas, amizades ou de intimidade entre pessoas que estão a ficar líquidas (Bauman,2004).
Os relacionamentos virtuais são apenas uma de muitas formas de se relacionar. Problematizando este tema surge um novo contexto, tendo o ser humano pós-moderno que vem a substituir os relacionamentos duradouros pelo pelo prazer instantâneo, a produção pela especulação, o conteúdo pela performance, a experiência pela flexibilidade e os sonhos pelas ambições. Ou seja, o tempo de se relacionar é diferente. Atualmente as pessoas também se relacionam através das redes sociais, de relacionamentos e whats app.
Amar é uma arte, mas nem todos são artistas. Precisamos da arte como um olhar sensível; da intimidade como uma ponte de conexão; e da técnica como um canalizador de afetos.
Vamos voltar na História para saber um pouco sobre relacionamentos e casamentos. De acordo com o bispo cristão São Valentim, reconhecido pela Igreja Católica como o santo do “Dia dos Namorados”, celebrado em muitos países como o Dia de São Valentim. Ele viveu no período Romano no século III. Neste período, o Império estava envolvido em muitas guerras e haviam poucos soldados a alistar-se. O Imperador Claudio II pensou que o problema era que os homens não queriam deixar esposas, noivas e namoradas para se arriscarem na guerra. Sendo assim, proibiu a cerimónia de casamento.
Como esse facto mudou a vida do santo dos namorados?
Valentim considerou essa atitude uma injustiça contra a população que queria ter família e multiplicar os seus descendentes. Mesmo com o decreto feito pelo Imperador ele continuou a fazer as celebrações secretamente. Mesmo assim, o Imperador ficou a saber do segrego do bispo, dando a ordem para prendê-lo e interrogá-lo publicamente; e o bispo foi condenado a morte.
Enquanto preso, continuou a pregar sobre o casamento e a sua importância para a sociedade. Também falava sobre as ideias malévolas do Imperador contra o casamento e a união das pessoas. O seu discurso na prisão, chamou a atenção soberana, que disse: “Escutem a sábia doutrina deste homem”. Movido pelo ódio, o Imperador decidiu que a sua prisão seria domiciliar, na casa do prefeito romano da época. Ao chegar na casa do prefeito, o bispo conheceu a filha, dele, que era cega.
O seu grande ensinamento…
Segundo a lenda ele tinha enamorado a jovem, mas também mantinha seus sentimentos em segredo. Aos 14 dias do mês de fevereiro de 286 foi levado a chamada Vila Flamina, onde foi morto às pauladas e depois decapitado. A sua sepultura foi encontrada em 346 numa capela subterrânea da Vila. A igreja o considerou padroeiro dos namorados por ter defendido com sua vida o Sacramento do Casamento. Antes de morrer, deixou uma carta para o prefeito, revelando seu amor platónico por sua filha.
A História do Santo e os relacionamentos dos tempos atuais estão interligadas com mesmo princípio da ideia de uma crença mental sobre ato de relacionar-se com alguém e as suas dificuldades; o sacrifício, desequilíbrio emocional, insegurança, traição, falta de amor próprio, apego, medo de perder o relacionamento, que muitas vezes é abusivo. Mas, do outro lado, existe também os relacionamentos equilibrados pelo amor e cumplicidade de ambos, a confiança, a maturidade e a lealdade.
Há muitos séculos, os costumes sociais, convencionais e religiosos foram impostos e submetidos pela figura do homem, assim as suas ações dominantes geraram uma cultura de ódio e discriminação, valorizando o ego masculino e a submissão da diversidade social. Que dirá pensar ou falar sobre género ou sexualidade, isso era plenamente negado como direito humano. Mas, ao longo dos anos, por muita luta e movimentos pelo direito de SER e ESTAR como é e com quem quiser, estes conceitos começaram a ser discutidos em nossa sociedade.
O corpo e o relacionamento.
Pensando na construção do corpo junto a um relacionamento, é pertinente destacar o seu desenvolvimento biológico e social como uma linguagem para a identidade do Ser. O desenvolvimento do corpo é feito de experiência e vivência orgânica e inorgânica, e se em nosso ciclo social isso não for respeitado, seria uma renúncia a identidade do próximo.
Antes, refletir sobre relacionamento era falar somente em heterossexualidade, onde o homem é um ser que tem pénis e a mulher é um ser que tem vagina. Porém, esse discurso diante o século XXI está a ser atravessado pela discussão de género e cada vez mais aceite diante da nossa realidade atual. Hoje o relacionamento é uma união de troca de afetos, independente do local, do contacto ou não dos corpos, ele está a acontecer como a sua forma de amor singular e complexa na dimensão mais ampla do amor. Amar é sinónimo de afeto, de sentimento e mesmo que alguns neguem isso, todos tem o desejo de Ser amado e o direito de amar o outro, independente do género.
Autor: Gabriel.